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Crononutrição

É possível perder os quilos a mais comendo de tudo desde que o faça nas horas certas. Saiba como

Há cerca de 20 anos o médico francês Alain Delabos apresentou um inovador conceito alimentar que convenceu vários praticantes em todo o mundo, a crononutrição.

Ainda hoje alvo da atenção de revistas femininas e baseado nos princípios da cronobiologia (a ciência que estuda as variações biológicas do organismo em função do tempo), esta teoria defende que quem deseja perder peso pode comer doces e gorduras, desde que ingeridos em certos períodos do dia e sem exageros.

O ponto de partida

Como explica Isabel Azevedo, médica e investigadora em Bioquímica, «o ser humano possui relógios endógenos em vários tecidos do organismo, havendo um relógio central que tenta manter a sintonia do conjunto, no sistema nervoso central».

Todos os seres vivos estão adaptados aos ciclos correspondentes aos movimentos da Terra em torno do seu eixo (ritmos circadianos) que marcam as 24 horas do dia. «Um aspecto muito importante do funcionamento dos relógios biológicos é o seu acerto por sinais externos, sendo a luz solar um dos mais importantes», sublinha a especialista, segundo a qual «existem outros como, por exemplo, a ingestão alimentar».

Ementa ao relógio

 Alain Delabos explorou o conceito do relógio biológico e, com base no conhecimento de que o organismo humano segrega certas enzimas em diferentes períodos do dia, aplicou-o à área da nutrição e elaborou um regime alimentar segundo o qual não há nutrientes a evitar.

A questão é ingeri-los de forma a tirar o melhor partido do metabolismo e, nesse sentido, a máxima eficácia será alcançada ao consumirmos determinados alimentos em alturas específicas do dia. Por exemplo, de acordo com esta teoria, a altura ideal para comer manteiga e queijo será o pequeno-almoço, mas se o fizermos ao jantar estaremos a cometer um erro.

Mito ou realidade?

«É muito difícil validar taxativamente estas afirmações», diz Alva Seixas Martins, nutricionista. «Há estudos que confirmam que certas hormonas e sucos gástricos são maioritariamente segregados em determinados períodos do dia, mas em relação às enzimas isso ainda não foi comprovado», explicita.

Por outro lado, nem todas as pessoas funcionam ao mesmo ritmo, «e o que é regra para um indivíduo poderá não ser para outro, estando ainda muito por descobrir», acrescenta. Isabel Azevedo concorda: «É muito provável que haja razões para se explorar uma crononutrição (saber a que horas comer e comer o quê conforme a altura do dia), mas a informação científica é ainda muito escassa para se passar às recomendações».

Aspectos positivos

 Para Alva Seixas Martins, ainda assim, as regras básicas desta teoria «apresentam aspectos positivos, como o facto de favorecer as primeiras refeições do dia, o que é muito importante para regular o ritmo da pessoa».

Isto porque se não se alimentar bem ao longo do dia ou se tiver um dia mais stressante, vai sentir-se tentada a compensar essa falha à noite, em casa. A crononutrição de Alain Delabos não consegue pois fugir à controvérsia, mas uma coisa é certa. Todos temos um relógio biológico. Só falta agora descobrir um pouco mais sobre os seus mecanismos.

 

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