Este grupo inclui as espécies mais utilizadas na culinária, que têm um sabor refrescante, algo doce, agradavelmente pungente, fazendo algumas lembrar o sabor do limão ou da maçã.
O outro grupo é o da hortelã-pimenta, de sabor muito mais mentolado, mas também doce, forte e picante, deixando a boca um pouco dormente e com hálito agradável e fresco.
Esta é a mais utilizada para fins medicinais e também no fabrico de pastilhas elásticas, pastas de dentes, cosmética e de onde se extrai o óleo essencial.
Alguns exemplares deste grupo são a hortelã pimenta preta (mentha x piperita piperita), hortelã da montanha (pycnanthenum pilosa) e o poejo (mentha pulegium). De sabor muito forte, deve ser usado com alguma cautela, um conselho que muitos alentejanos certamente discordarão.
A hortelã brava (mentha arvensis), muito utilizada na cozinha asiática, também faz parte deste grupo. A mentha x piperita é um híbrido da hortelã verde e da hortelã d´água. Temos ainda a hortelã pimenta chocolate (mentha x piperita citrata chocolate), também conhecida por bergamota e muito utilizada na perfumaria e ainda na confecção de sobremesas.
Se for às compras, encontra ainda hortelã maçã (mentha suaveolens) e a hortelã da ribeira (mentha cervina) ou erva peixeira, muito utilizada na culinária do Alentejo porque tem um aroma semelhante ao poejo, apesar de ter folhas muito diferentes.
Existe ainda a mentha aquática L. ou hortelã da água, muito comum no Centro e no Sul do nosso país, também conhecida por hortelã mourisca, pois julga-se ter sido aqui introduzida pelos mouros.
O castigo da ninfa
A hortelã é oriunda da região mediterrânica, onde cresce espontâneamente, apesar das plantações que aí existem. Mas não existe só nessa região. Dá-se um pouco por todo o mundo. É muito usada em Marrocos, na Turquia e na Tunísia, mas também no Irão e Índia. A hortelã era muito utilizada pelos romanos em banhos e perfumes, provavelmente na sua variante mentha spicata. Acredita-se que tenham sido eles a introduzir a hortelã na Europa.
A variedade hortelã pimenta só foi introduzida na farmacopeia inglesa (London Pharmacopeia) em 1721. Nessa altura, era recomendada no tratamento de problemas digestivos como a flatulência, mas também para cólicas e dores de cabeça de origem nervosa. O nome menta vem da mitologia grega. A ninfa Menta surpreendeu Perséfone com Plutão, por quem estava apaixonada, e foi transformada na planta que tem o seu nome.
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