1|2|3|4 Seguinte »
 

“Chorei assustada quando me indicaram para a Comissão Política”

Entrevista a Margarida Adamugi Talapa

Numa residência localizada no bairro da COOP, o “Tindzava” invadiu a privacidade da presidente da bancada parlamentar da Frelimo, Margarida Adamugi Talapa, para perceber o seu percurso como mulher moçambicana.

Tindzava (T): Quem é Margarida Talapa?
Margarida Adamugi Talapa (MT): Margarida Talapa é uma mulher que vem da província de Nampula. Nasci numa família humilde, pobre, no distrito de Memba. Éramos seis mulheres e um homem, da mesma mãe e do mesmo pai, mas também tenho quatro irmãos só da parte do meu pai. Sou a segunda sorte dos meus pais. O nosso irmão mais velho não conhecemos, faleceu novo, então, praticamente sou a mais velha de casa.

T: Como mais velha de casa, com certeza, deve ter sido muito privilegiada.
MT: Dentro da minha família eu era muito querida, tanto do lado do meu pa, assim como da minha mãe. O meu pai e a minha mãe tiveram os primeiros filhos que não sobreviveram. Então, sendo a primeira filha de casa que sobreviveu, eu era a mais querida, tanto que depois que nasci, eles deram-me o nome de Vitia. Vitia significa uma coisa que será enterrada. Eles não tinham esperança de que eu sobrevivesse e, por isso, cresci sendo muito acarinhada.

T: Como foram os seus tempos de escola?
MT: Os meus pais sempre apostaram numa menina estudada. Quando ainda pequena fui matriculada numa madrassa onde tive o primeiro contacto com um professor. Tive aulas durante três anos e depois fui matriculada numa escola-capela. Estando numa escola-capela, os meus pais, todos os dias, discutiam e diziam que eu seria baptizada, e que, como consequência, haveria de comer carne de porco. Os dias passaram e chegou a fase em que os meus pais decidiram que tinha de sair da escola-capela para uma escola oficial. Naquela altura era difícil entrar numa escola oficial, porque só existia uma escola na sede com apenas duas salas de aula, com a particularidade de só entrarem os filhos dos assimilados. O meu pai lutou e conseguiu matricular-me e, a partir dali, comecei a estudar. Aquela escola tinha uma particularidade no acto da inscrição: a família tinha que dizer se era pobre ou rica. Se fosse pobre teria direito a lanche, uniforme e material escolar gratuito, mas o meu pai não aceitou, embora fôssemos pobres. Ele disse: “eu vou criar todas as condições para que a minha filha estude lá”. Isso para mim é orgulho de homem. A auto-estima de que nós hoje falamos, provém dos nossos antepassados e ele com todo o orgulho fez com que eu e todas as minhas irmãs estudássemos naquela escola.

Saiba mais sobre Margarida Talapa na página seguinte

1|2|3|4 Seguinte »
Comentar
Os comentários ficarão públicos