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Não há pais perfeitos

A afirmação é do controverso pediatra Aldo Naouri. Entrevista exclusiva

Pediatria durante mais de 40 anos. Hoje é através da escrita e de conferências, que dá em todo o mundo, que defende o bem-estar das crianças. No seu mais recente livro, «Educar os filhos – Uma urgência nos dias que correm», no qual a palavra hierarquia figura lado a lado com felicidade, traça orientações para que os pais ofereçam aos filhos o melhor presente que uma criança pode receber. A educação!

Hoje os pais multiplicam esforços para fazer os filhos felizes. Procuram as melhores escolas, os melhores especialistas. O que é que não está a resultar?

 

Dar armas a uma criança implica educá-la, ou seja, habituá-la a conquistar as coisas, em vez de as dar já mastigadas. A criança vem ao mundo com uma força considerável que é a vida no seu estado puro e que se manifesta por pulsões extremamente violen­tas que não consegue dominar sozinha.

O que podem os pais fazer para a ajudar ?

É fundamental dizer-lhe, depois de ter apanhado a colher algumas vezes, que não está ao seu serviço e parar de lhe dar a colher. Esta forma de reagir vai mostrar à criança que ela não é o centro do mundo e que acima dela está a mãe, cuja vontade se impõe.

Defende, portanto, uma hierarquia familiar?

É importante que exista uma hierarquia. Os pais são os pais e as crianças as crianças. Elas não têm as mes­mas armas, não têm o mesmo cérebro. Por exemplo, se quer explicar algo ao seu filho pode fazê-lo, mas não conte que ele compreenda racionalmente aqui­lo que lhe está a dizer.

As palavras não têm poder, é a atitude e a determinação dos pais que conta, a forma como exercem o seu papel. É por isso que a ideia de uma relação de igual para igual é nociva. Desarma os pais.

Se as palavras não têm valor, o que percebe a criança quando a mãe fala?

Ela compreende através do seu inconsciente. É como um rádio sintonizado numa estação. O seu inconsciente está ligado ao da mãe. Se a mãe lhe dis­ser que tem o nariz grande, a criança sorri porque sabe que ela no seu inconsciente sente amor e orgu­lho. O significado das palavras é indiferente.

 

Veja na página seguinte: A supremacia da relação com a mãe

 

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