Há quem goste (muito) de fazer anos, preparar uma festa, receber votos de feliz aniversário e há quem prefira passar a data em branco.
Seja qual for o seu caso é possível saber o que está por detrás dessa euforia (ou apatia).
Foi precisamente isso que tentou apurar Christian Heslon, psicólogo, ao pesquisar os principais factos sobre a história do aniversário, os rituais mais caricatos e os principais estudos científicos sobre a temática. De seguida, analisou e organizou a informação recolhida, reuniu tudo num livro e deu-lhe o nome de «Petite psychologie de l’anniversaire».
Em exclusivo para a saber viver, o autor responde às principais questões sobre o tema e dá pistas para que também você possa descobrir a aniversariante que há em si.
Como surgiu a ideia de escrever o livro «Petite psychologie de l’anniversaire»?
A ideia de analisar o fenómeno dos aniversários surgiu após celebrar os meus 40 anos e reparar que as mulheres da mesma idade não tinham tanta vontade de festejar como nós.
Depois disso, descobri que existiam inúmeros estudos sobre os efeitos psicológicos do aniversário e os benefícios em assinalar a data com uma festa mas que nunca tinham sido reunidos num único trabalho.
Pode dar-nos um exemplo do tipo de estudos que encontrou?
Descobri, por exemplo, que um historiador americano, William Johnston, tinha demonstrado que, com a aproximação do ano 2000, as sociedades ocidentais passaram a estar cada vez mais dispostas a festejar os aniversários.
Por que é que há pessoas que adoram festejar o seu aniversário e outras que se recusam a assinalar este dia?
Em geral, celebramos o aniversário se tivermos uma boa auto-estima, saúde, um grupo de amigos e uma família unida. Por outro lado, podemos recusar festejar o aniversário por razões ideológicas (recusa de convenções, da sociedade de consumo) ou porque a data de nascimento coincide com a de um acontecimento doloroso (por exemplo, o falecimento de uma pessoa querida).
Mas geralmente isso acontece porque não nos sentimos bem com a idade que temos. Existem ainda causas religiosas: os protestantes festejam a data de nascimento desde o século XVI, enquanto os católicos associaram durante muito tempo esta festa ao pecado do orgulho e as testemunhas de Jeová ainda hoje recusam os aniversários.
Qual o simbolismo por detrás das velas, do bolo de anos e dos presentes?
As velas simbolizam o tempo que passa, a vida e a morte (a chama da vida e o último sopro). O bolo provém de um antigo culto a Artemisa, deusa da Lua e da Fecundação, evocada pela forma redonda do bolo. O facto de o partilhar entre amigos simboliza uma união para afastar a morte.
O presente, para além de ser encorajado pela sociedade de consumo, simboliza o primeiro objecto de amor perdido entre a mãe e o bebé quando é cortado o cordão umbilical. Todos estes rituais são importantes porque são eles que conferem ao aniversário uma dimensão simbólica, que veio substituir os rituais de passagem antigos.
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